APERTE O PLAY!!! Estudo errado, Gabriel O Pensador

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

VER E OUVIR NA ESCOLA, UM DESAFIO? - UFF - Encontro de Narrativas e memórias docentes 2011


Hoje participei como ouvinte do encontro "VER E OUVIR NA ESCOLA, UM DESAFIO?".  Foi muito motivador conhecer as possibilidades de praticas que alguns Educadores estão pensando e aplicando por ai.

A primeira pratica apresentada chamava-se "Famosos por um dia" e foi desenvolvida a partir de um momento de zoação de uma turma no EJA. A situação teria sido a seguinte: chamaram um membro da escola de "Vovozona" por conta da semelhança  como personagem do filme de mesmo nome.
Essa situação chamou a atenção da educadora para a necessidade de uma intervenção em prol do respeito ao outro e da promoção auto estima; o que a motivou a propor uma atividade plástica de corte e colagem que tinha como objetivo representar algum funcionário ou aluno da escola a partir de suas "belezas" (potencias).
A valorização da auto-estima era (conforme o exemplo dado) pegar alguém que é "zoado" pelo seu bocão e te-lo representado com o bocão da Alinne Moraes. A turma também teria que desenvolver um texto descritivo.
O resultado foi:  respeito, cidadania, auto estima, generos textuais trabalhados de forma divertida.


A segunda apresentação foi sobre as dificuldades de dialogar a tecnologia da informação com o conteúdo das disciplinas e; principalmente, da resistência dos professores apropriarem-se da tecnologia como ferramenta de mediação de aprendizagem.

Apresentou possibilidades legais (porem muito limitadas) para utilização da tecnologia, como por exemplo, personalizar pastas para cada aluno de cada turma na mesa de trabalho.

Acho que seria mais apropriado se cada aluno pudesse ter seu próprio log-in.

Uma das praticas desenvolvidas com a internet que teve um bom retorno das turmas participantes foi buscar na rede opções e técnicas de decoração para  a Festa da Independência da Escola. Os alunos pesquisaram e decoraram: uma atividade pratica que, alem da decoração, rendeu bons conhecimentos sobre as ferramentas de pesquisas de internet como sites, blogs, vídeos, programas etc. Achei essa experiência bem interessante: útil, pratica e clara (com o tempo estabelecido para pesquisa, levantamento da necessidade de material, planejamento do evento etc).

A fim de ilustrar a utilidade da tecnologia para arquivar as produções do aluno, um dos arquivos me chamou atenção. A pasta, com o nome da atividade - "onde moro" - continha os trabalhos dos alunos; produzidos a partir de uma  proposta plástica de colagem de materiais: as crianças deveriam representar o lugar onde moravam porem  as formas estavam geometricamente pré-definidas e simétricas.
Em se tratando de uma comunidade periférica é muito provável que não haja simetria arquitetonica e que, portanto, as formas geométricas não atendam ao objetivo proposto pela atividade, de que os alunos representem o lugar onde moram.
A principio pode parecer uma atividade legal porem não cria a conexão com a realidade do aluno bem como cerceia sua criatividade.

A terceira apresentação era sobre um  projeto Educação e Musica, que propõe a analise literária de letras musicais como ferramenta para educação de jovens e adultos.
O inicio da apresentação do trabalho me causou um certo desconforto. Ao discorrer sobre a primeira fase do processo que consistia numa sondagem sobre as preferencias musicais dos estudantes (imagino que para alcança-los) o palestrante disse que "os mais jovens, obviamente, preferiram o  funk " - (em itálico pois ele falou assim mesmo, de lado).
Afim de chegar o mais proximo do funk, sem ter que na verdade entrar em contato com ele, substituiu o ritmo escolhido pela turma ele levou um RAP, do Gabriel O Pensador, Cachimbo da Paz. Descreveu a analise dessa poesia como critica e politizada, onde debateram sobre a criminalização das drogas e os interesses economicos que sustentam essa situação.

Com os mais velhos da turma trabalhou Clara Nunes porem não discorreu sobre o resultado da analise que fizeram sobre o texto.

Quando a mesa foi aberta, perguntei: "Por que não o funk? Por que, por mais que o estilo seja bem próximo ao escolhido pela turma durante a primeira fase da atividade,  não foi o RAP que eles escolheram para trabalhar mas o funk. E, o Gabriel Pensador, apesar de ser um otimo artista - adoro ele também -, politizado e tudo o mais, é de classe altíssima, branco etc. Se novamente e como comumente, fugimos da realidade dos estudantes como vamos alcança-los?"

O palestrante disse que não havia material no funk para ser trabalhado em sala de aula, o que foi lamentável pois há.

É numa dessas que  perdemos uma otima oportunidade de (sim, já é a segunda vez que falo disso) apresentar uma produção diferenciada do funk, como por exemplo da  APAFunk, que é uma otima ferramenta de mediação para trabalhar conceitos de formação cidadã.
Se ignoramos esses detalhes, se não saímos da superfície do senso comum, limitamos nossa pratica pedagógica.

Tem um livro otimo que comprei na Kitabu : Educação das Relações Etnico-Raciais,  Rosa Margarida de Carvalho Rocha.
Logo na primeira parte fala sobre "as ideias falsas, cristalizadas no modo de pensar das pessoas sao pras manifestações de racismo e preconceito!". Dentre varias colocações dentro do topico "Se liga mestre.. se você..."

Destaco:

  • "Não vê com 'bons olhos' o hip-hop, o funk, a galera do rap e outras formas de expressão que são específicos do grupo negro... Você precisa refazer seus conceitos: REFLITA...REFORMULE...ATUALIZE..."


O ultimo trabalho apresentado foi show: o uma proposta de interação, dialogo e aprendizado em educação matemática. O DUM (Da uma mão!) é um jogo (todo trabalhado no que vejo como conceito Metodoludico) de matemática desenvolvido por um professor, que o criou para ensinar seus alunos do sexto ano de uma escola municipal.

Simples e interativo desde sua produção "que é artesanal para que o educando se sinta dono do material"consiste no seguinte: dado, tabuleiros (cada grupo faz o seu e que trabalham) cartões em 4 cores (que definem o grau de dificuldade das perguntas e contem interpretações sobre o conteúdo) que se relacionam comas cores do percurso do tabuleiro).
Sua apresentação  foi muito interessante pois sua fluía livremente (sem a leitura cansativa dos slides power point) a partir de imagens que direcionavam sua fala.
Uma dessas falas que quero reproduzir, propagar e  praticar no ambiente escolar "é a coerência  que leva ao aprendizado".


A parte da tarde foi plena de motivacao. Professores apresentaram o Projeto Laboratorio de Estudos familia/escola, que consiste na observacao sistematica de 4 escolas - publicas e particulares.

Num banlaço geral e superficial:

  • regras como fila pra chegada (forma), utilização dos espaços da sala de aula, hora da fala e hora para banheiro estavam presentes em todas as escolas. 

  • Assim como a falta de planejamento basico como o tempo pre deteminado pra as atividades, as escolas estao pedagogicamente desorgnizadas.

  • Faltam trabalho onde o coletivo é coletivo
Considerações:
  • Ha uma necessidade urgente de alinhas a teoria a pratica

  • É necessario trabalhar a auto estima dos estudantes e dos professores.

  • não devemos simplesmente repreender as brincadeiras infantis, simplesmente por que as que temos como de mal tom.
  • uma criança brincando é uma crianca representando o mundo como ela vive.

Daniel Kant "a criança não é violenta mas vive numa sociedade violenta e sofre com ela "

Uma das professoras palestrantes colocou que "a violência na escola se da tambem porque os educadores - em sua maioria de classe media - vêem a criança como futuro representante da "classe perigosa".

Da sua fala emocionante, destaco:

  • violência é o professor que tem medo da sua criança.
  • criança age e devolve, de acordo com a expectativa do seu olha
  • desreipeito e desprezo do professor de classe media com relação ao aluno e sua família existe 
  • esse conflito de classes é compensado pela moralização, o que segrega e rotula. Por exemplo, em caso de uma guerra de casca de tangerina no refeitório: se branco, de classe media o aluno é  indisciplinado; se preto, de classe popular - violento

Devemos estar atentos a

  • circulação de palavras
  • como as crianças narram seu próprio processo de socialização?
Falou sobre quando desenvolveram um grupo focal com crianças a partir de 8 anos.
Essas crianças incorporaram o discurso da violência: consideraram como uma manifestação violenta uma brincadeira com guerra de casca de tangerina.
Isso, infelizmente é um exemplo de a escola indicando ao aluno qual o lugar social ele tem reservado no mundo.
As lógicas da ética infantil são, em qualquer lugar ou criança, solidariedade e amor.



Escrever sobre o que se vive de coração é diferente...











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